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Entrevista de Miley Cyrus para o New York Times: VMAs, Nicki Minaj & muito mais
PUBLICADO POR Lívia Bastos EM 27/08
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Foi divulgado hoje, 27, pelo próprio New York Times a entrevista que Miley Cyrus concedeu para o site do jornal. A cantora fala mais sobre o Video Music Awards 2015 e também sobre a revolta de Nicki Minaj no Twitter após saber que o videoclipe de uma de suas músicas não foi nomeado a categoria “Vídeo do Ano“. Confira:

LOS ANGELES — Essa semana, Miley Cyrus está fazendo uma festa. Todos estão convidados, e MTV está pagando a conta.

“Eles disseram ‘essa é sua festa“, disse a senhora Cyrus, 22 anos, sobre o canal do Video Music Awards, que ela irá apresentar no Domingo diretamente do Microsoft Theater, a partir das 21:00 hrs. E ela está levando a MTV para seu lado, ajudando a planejar um show que ela promete ser “psicodélico” e “natural”, diferente de qualquer outro.

“Eu não quero que esse VMAs seja como as edições anteriores“, Senhora Cyrus, enquanto trabalhava em seu estúdio em casa, onde ela está gravando o que ela chama de “música da vanguarda” com Wayne Coyne. “Ano passado não havia sequer um anfitrião, então não havia energia“.

Sobre as últimas vezes em que Senhora Cyrus esteve no palco do Video Music Awards, há dois anos, ela se apresentou com a língua para fora, com ursos de pelúcia gigantes (saindo de um, inclusive), dançarinas negras, um dedo de espuma e um pequeno “esfrega” em Robin Thicke – levando a mil pensamentos sobre vadia-indigna, apropriação racial e o significado do twerk. (No ano seguinte, quando ela ganhou o prêmio de “Vídeo do Ano” com “Wrecking Ball“, ela enviou um jovem sem-teto para falar com seriedade em seu lugar.)

Este ano, Senhorita Cyrus terá a chance de provocar novamente, mas como apresentadora ao invés de performer, ela terá mais controle (e tempo), dando o tom ao show. – Ela vem equipada com uma estética visual recentemente focada – incluindo o trabalho “surrealista” – que até recentemente se manifestou mais claramente em seu louco feed no Instagram.

A premiação também contará com Kanye West recebendo o Michael Jackson Video Vanguard Award, juntamente com performances de Weeknd e a volta de Justin Bieber.

NY Times: O que você pensa quando se lembra do Video Music Awards 2013? 

Miley Cyrus: Tudo o que eu já fiz foi verdadeiro para mim no momento em que fazia. Mesmo no meu programa de TV [“Hannah Montana”] – quando eu comecei, tinha 12 anos, e foi um sonho para mim. Então essa foi a minha verdade naquele momento.

Eu saindo daquele urso de pelúcia, para mim, não era apenas um urso de pelúcia. Meu pai sempre me explicou que você entra em sua felicidade. Isso é meio parecido com o que eu estava fazendo. Quando a barriga do urso se abriu, eu estava literalmente saindo – meu show acabou, e então eu realmente não trabalhei nos dois anos seguintes. Foi quando eu fiz a minha maior auto exploração. [A performance] foi um modo de dizer “Eu só vou fazer o que me fará feliz”. Naquele momento, isso era o que realmente me fazia feliz.

Por que as pessoas pensam que foi tão chocante?

Quando você assiste a performance agora, parece que eu estou jogando amarelinha. Comparado com o que eu faço agora, aquilo foi nada. Eu não consigo acreditar que foi grande coisa. Não foi absolutamente chocante.

Eu estava no estúdio com Kanye [mais tarde] naquela noite, e nós assistimos novamente e não dissemos nada. Ele estava tipo “Isso foi doente”. Nós acordamos no dia seguinte, e ele disse “Uau”. Ele ligou e disse “Ligue a TV”. Eu estava hospedada no Trump Hotel e Donald Trump literalmente me ligou e disse basicamente “eu sei que todo mundo está falando sobre isso, mas eu amei”. Eu não tinha a menor ideia do que alguém estava falando sobre isso.

Mesmo pessoas ao meu redor realmente me julgaram. As pessoas que eu realmente amava e achava que eram meus amigos me julgaram por isso. Eles estavam tipo “Você estava drogada quando fez aquela performance”. Eu não fiz nada! Eu ainda não entendo.

O Twerk se tornou o assunto mais falado da nação.

Cara, isso foi insano. Me tornei essa garota – Eu era o rosto do twerk, o que realmente não importa. Não era disso que se tratava.

Qual foi sua relação com Robin Thicke depois disso?

Eu realmente não conhecia ele muito antes, e eu realmente não o conheço muito agora. Foi engraçado, ele agiu como se não soubesse que isso ia acontecer. Você estava nos ensaios! Você sabia exatamente o que ia acontecer! E ele foi, na verdade, o único que aprovou minha roupa, então eu achei que foi realmente muito engraçado. Ele queria que eu ficasse nua o máximo possível, porque seu videoclipe foi assim. Minha parte – “We Can’t Stop” – foi tudo sobre mim. Mas quando chegou em “Blurred Lines”, a performance foi dele.

Você se sente desafiadora sobre isso?

Eu continuo amando isso. Mas agora eu assisto isso, e vejo alguém que não sou eu agora.

Quem era aquela garota?

Eu sabia quem eu era, e eu sabia o poder que eu tinha, mas eu acho que não tinha percebido o meu poder total até o show. Eu não sabia que podia causar uma reação tão grande. Eu não achei que muitas pessoas se importariam. E eu sabia que era famosa, mas não sabia o que aquilo significava. Tudo estava chegando a um fim e começando um novo começo. De todas as formas.

Você sente que perdeu o controle da sua própria narrativa?

Eu sinto que esses momentos são momentos de apagão. Eu me lembro de saber na noite anterior que essa seria a primeira vez que eu performaria dessa maneira. Mas eu não esperava que se tornaria o que se tornou. Quando aconteceu, algo estalou em minha mente: Todas as pessoas me notam? Se eu estou sendo notada por todas essas pessoas, o que eu vou realmente dizer? O que eu vou dizer não é “balance sua bunda.” Mas mesmo se você ouvir “Can’t Stop”, não é da mesma forma que eu estou dizendo agora, mas a música está realmente dizendo a mesma coisa: “Eu vou fazer o que eu quiser”. Agora eu sei como dizer isso em minhas próprias palavras, não apenas em forma de hit.

Como foi a conversa que começou a te trazer de volta ao Video Award?

Van Toffler, diretor da MTV, esse foi seu último ano. Ele está indo embora, e consequentemente não pode ser demitido. Ele estava tipo “Eu quero fazer algo louco – Eu quero que você apresente o VMAs, porque quero que seja meu estrondo final.” É como “Ferris Bueller’s Day Off” (Curtindo a Vida Adoidado, filme)

Você já pensou “Eu já fiz minha parte no VMAs”?

Não, eu quero fazer isso de imediato. Eu amo o V.M.A.s, eu amo a MTV. Eu não costumo assistir, mas as vezes em que eu assisti eu amei.

Será que você tem um monólogo de abertura?

Seth Rogen e sua equipe nos ajudou a escrever bastante. [A artista] Jen Stark fará a minha introdução, então eu estou saindo de uma de suas peças. O que eu estou tentando fazer é criar o meu Instagram – que as pessoas gostam de pensar que é estranho – na vida real. É deixar as pessoas em meu mundo.

Você vai contar piadas?

Eu não sou um stand-up. Isso é o que sempre se sente – como fracasso de tudo e morrendo lá fora.  Então a minha introdução será sátiras divertidas.

Você estava preocupada que esse Video Awards seja apenas uma cópia da edição 2013?

Eu não iria deixar isso acontecer.

Então você não vai fazer piadas sobre o seu twerk com Robin Thicke?

Não. Eu não topei fazer isso para chegar lá e fazer piadas sobre o passado.

O que você fez sobre o fato de Nicki Minaj ter ficado chateada porque “Anaconda” não foi indicado a categoria “Video do Ano”?

Eu vi isso, mas não me envolvi. Eu realmente não sei. Acho que tem maneiras certas de se expressar…

Você sabe o que ela disse?

Que todo mundo que foi indicado era branco e loiro, não é? E ai Taylor Swift entrou no meio.

Ela também falou sobre “Wrecking Ball”, dizendo que quando garotas brancas ficam nuas e quebram o recorde da VEVO elas são nomeadas.

Eu nem me apeguei a isso. Sabe o que eu sempre digo? Não que isso seja inveja, mas inveja faz o contrário do que você quer. Isso é um mantra Yoga. As pessoas esquecem que as escolhas que elas fazem e como tratam as pessoas afetam sua vida de forma muito intensa. Se você faz as coisas de coração aberto e com amor você seria ouvido e eu ouviria sua opinião. Mas eu não respeito o que você disse pela raiva com que você se pronunciou.

E não é uma raiva do tipo, “Pessoal, fiquei frustrada com o que aconteceu”. Você fez isso sobre você. Não queria soar como uma vadia, mas isso foi tipo “Ehh, eu não ganhei meu VMA”.

Se você quer tornar isso um problema racial, há uma maneira de se pronunciar, mas não faça isso só sobre você. Diga: “Essa é a razão pela qual eu acho que é importante ser nomeada, para que exista pessoas de todos os tipos de corpo concorrendo”.

Eu acredito que ela disse isso…

O que eu li sobre soou bem Nicki Minaj, o que bem, você sabe, Nicki não é muito amigável. Não foi muito educado. Acho que é possível falar com as pessoas abertamente e com amor. Você não precisa criar uma guerra de pop star contra pop star. Se tornou uma briga entre Nicki e Taylor, perdendo totalmente o sentido inicial. Você só faz dar aos tablóides uma matéria de briga.

Eu sei que você pode fazer que eu não entendo das coisas porque sou uma cantora de pop branca, mas eu sei o que está acontecendo no mundo. Eu sei as estatísticas. Para ser honesta, não acho que a MTV fez isso de propósito.

Você tem vídeos favoritos dessa edição?

Eu realmente não sei muito sobre as indicações.

 “Anaconda” foi nomeado em alguns,  “Bad Blood”, Kendrick Lamar’s “Alright”, Ed Sheeran…

Eu gosto do que Kendrick fez. Eu realmente não conheço muitos destes. Eu realmente não ouvi muitas destas músicas. Eu sou provavelmente a apresentadora mais desinformada da história. Eu não tenho TV. Eu tenho Apple TV. Eu sou a garota de 22 anos que é tipo “O que é TV?”.

Fonte | Tradução e Adaptação: MileyBR.com

 

 

 

 

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Marie Claire: Confira a entrevista completa e traduzida de Miley para a revista
PUBLICADO POR Ana Carla Bastos EM 27/08
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             Um banner caseiro em que se está escrito ‘apenas boas vibrações’ fornece um alegre seja bem-vindo ao entrar no estúdio de gravação de Miley Cyrus, um espaço acolhedor ao lado de sua casa em San Fernando Valley em Los Angeles, decorado com um sofá convidativo, uma mesa de trabalho tumultuada, e luminárias penduradas que se parecem com nuvens. A mesa de café possui livros de fotos, um cinzeiro, almofadas com desenhos, uma garrafa de Ciroc, adesivos, polaroids e uma escultura de um cérebro. Seu microfone é envolto em uma fita de arco-íris. Uma boneca de plástico alienígena inclinada no canto.

            Cyrus, 22, tem orgulho de seu modesto estúdio low-tech. Uma menina country de coração, ela não crê em consumos desnecessários e excessivos — pelo menos não fora não do reino emocional ou teatral. ‘Para que esses grandes estúdios?’ ela diz sobre alguns de seus colegas. ‘Você não precisa disso. Tudo que você precisa é de microfone e um computador.’

             Ela sente a mesma simplicidade na sua casa que está reformando aos poucos, onde ela terá uma área para seus cavalos que ela planeja acrescentar à sua coleção de animais, que inclui 4 cachorros, um par de gatos e uma porca, Pig. ‘Meus empreiteiros ficam tentando me vender ideias para minha casa, mas eu fico tipo, não vou construir uma casa que tem um chuveiro ao ar livre,’ Cyrus diz, enquanto caminha de seu estúdio para sua casa. ‘Eu não preciso de um piso caro em que meus cachorros vão estragar.’

             Cyrus, que diz que seu gosto gira em torno do janky, certamente não deve-se aos Benjamins. ‘As pessoas nessa indústria só pensam em dinheiro e eu apenas penso ‘pra que você quer tanto dinheiro? Você provavelmente nem vai conseguir gastar tudo nessa vida’. As pessoas ficam mais famosas para fazer seus nomes ainda mais famosos, para venderem mais coisas e ficarem ainda mais ricos. É um ciclo interminável. Ganhar dinheiro, ter muitos hits, ser o protagonista de um filme. Essas coisas podem estimular você, mas não te fazem realmente feliz. Eu já experimentei tudo isso, então acredite em mim: não é isso que traz felicidade.’

             Quando ela abre a porta da frente, os cães correm até ela cercando-a e latindo animadamente. Assim como o seu estúdio, sua casa é acolhedora e não foi afetada — não há nada que sugira que ali vive uma celebridade global. Há, no entanto, um bong de 1,5m embelezado e um vibrador coberto de cogumelos rosa e vermelho, projetos de arte de Cyrus, porém, ela enfatiza: ‘O bong funciona’.

             Usando uma regata branca e uma jardineira jeans, com seu cabelo em um coque, Cyrus se joga em seu sofá na sala de estar, e seu Chihuahua-dachshund, Bean, pulando em seu colo. Enquanto Bean lambe a ponta de seus dedos dos pés, Cyrus expõe a sua visão de mundo em desenvolvimento, uma visão não tão distante dos valores que ela foi ensinada quando criança em Franklin, Tennessee, como filha do cantor country Billy Ray Cyrus e de sua mãe Tish. Enquanto eles e seus cinco filhos eram todos, como Billy Ray disse, “nascidos artistas”, as crianças foram também escolarizadas para serem gratos e indulgentes no mundo do sucesso e da fama.

            Ela reconhece que, devido a seus ganhos na sua infância, ela nunca precisará trabalhar de novo. “É mais do que eu mereço,” ela diz, com humildade. “A questão é, o que eu vou fazer com isso? Eu não quero apenas sentar e guardar o dinheiro. Ou ir atrás de mais.” Ela ri da ideia de ser uma porta-voz comercializada.

           “Eu provavelmente nunca serei o rosto de uma empresa tradicional de beleza a menos que eles queiram uma maconheira liberal esquisita. Mas meu sonho nunca foi vender batom e gloss. Meu sonho é salvar o mundo.”

“EU ME SINTO COMO UM GAROTO DE 15 ANOS PRESO NUM

CORPO DE UMA GAROTA DE 22.”

           Depois de anos de criação rígida de seus pais, naquela visão de cristianismo sulista (“Meus pais levavam a Bíblia muito a sério”), o ativismo social de Cyrus foi motivado quando, ao ir a uma cerimônia de premiação, viu várias multimilionários estacionando suas limousines em estacionamentos cheios de jovens sem-teto. E então, em Dezembro de 2014, uma transgênera adolescente chamada Leelah Alcorn cometeu suicídio e Cyrus disse, “chega”. Em resposta, ela inaugurou a Fundação Happy Hippie em Maio desse ano, uma organização encarregada de criar consciência entre jovens LGBTs e sem-teto.

           Cyrus diz que ela sente uma afinidade com as crianças que têm sido marginalizadas pela diferença, que têm sido deixadas de lado por não serem iguais. E ela acredita que, se não fosse os caprichos que ela teve, sua vida poderia ter sido um pouco diferente, poderia ser ela dormindo sozinha e invisível debaixo de uma ponte: “Muitos de nós nascemos em alguma m*****, entende o que quero dizer?”

           “Ultimamente eu tenho falado à beça sobre o meu sexo. E algumas pessoas não gostam disso. Eles querem me julgar,” ela diz claramente. “As pessoas precisam de mais modelos convencionais. Eu suponho. Mas eu não me importo de ser aquela pessoa.”

           Intuitiva e muito exposta, Cyrus não é muito afetada para o criticismo do público. Mas ela não aceita ser saco de pancada. Ela não está interessada em ser jogada para dentro de uma caverna, pintada de ouro ou não. Ela acredita que as mulheres devem ser cada uma de uma forma, tamanho, cor, idade, identidade, e desejo, e não o “padrão que fazem as garotas se sentirem horríveis.”

           “Quando você olha para as fotos retocadas e perfeitas, você se sente horrorosa,” ela argumenta. “Eles clareiam as peles de garotas negras. Eles suavizam rugas. Até eu me pego no Instagram pensando, por que eu não sou assim? É uma chatice total.” Cyrus exala força. “É louco como as pessoas decidem como é que nós todos deveríamos ser e agir.”

           E é por isso que, sempre que ela pode, Cyrus deliberadamente mantém o status quo, deixando crescer os pelos da axila, tirando selfies com a aparência natural, falando para os fotógrafos que a retocam que não reconhece aquela que está nas fotos. Cyrus sabe que ela é um trabalho em desenvolvimento, o que, para ela, é a alegria da vida. E através do compartilhamento íntimo de suas batalhas e solavancos de sua jornada, ela dá a permissão para outras garotas abraçarem quem quer que elas decidam ser, e para achar felicidade nisso, e não em um reflexo de uma cultura fabricada que não se assemelha em nada com elas.

           “Olhe para quem eu era há 5 anos atrás,” Cyrus diz, sua voz profunda subindo um degrau. “P****, dois meses atrás. Eu sou diferente até nesse período. Se um dia tiver filhos, eu não quero me sentir ultrapassada. Politica e espiritualmente, nós temos que sempre estar aprendendo e evoluindo. Eu não acho que as pessoas fazem isso o suficiente. Eles ficaram tão acomodados.”

           E se a última encarnação de Cyrus como uma ativista deixa grandes áreas da população inconfortáveis, que sejam. “É mais fácil ficar numa caixa, colocar quaisquer roupas que alguém nos disse que deveríamos usar. Nós somos programados. Nós nos preocupamos com marcas. Eu lhe garanto que até as pessoas que tiverem seus traseiros com uma etiqueta maneira sabem lá no fundo que seria muito melhor correr por aí pelado e não ligar para o que os outros pensam.”

           Aqui está, também, algo que outras celebridades sentem muita falta – a perspectiva de não estar na piada que um senso de humor traz, especialmente quando se trata de si mesmo. O videoclipe de “Bad Blood”, de Taylor Swifit, é mencionado. “Eu não entendo essa vingança violenta,” Cyrus encolhe os ombros. “Isso deveria ser um bom exemplo? E eu sou um mau exemplo porque eu estou correndo por aí com meus peitos de fora? Não sei como peitos podem ser piores do que armas.”

           Em sua tenra idade, Cyrus parece ter descoberto uma verdade que ilude não só seus amigos, mas a maioria dos seres humanos: que a vida que nos foi concedida é divertida. Então, você sabe, talvez aproveite agora. “Na minha turnê com o escorrega em formato de língua e tudo o mais, eu estava apenas fazendo piada de mim mesma,” ela explica o show do Bangerz do ano passado e a apresentação polêmica do Video Music Awards que gerou centenas de comentários editoriais. “Eu apenas digo, ‘Eu não vou obedecer à sua m*****'” Ela sorri. “Nada mais que isso.”

           Miley Cyrus estava interpretando uma popstar muito antes de ser Miley Cyrus interpretando uma popstar. Sua carreira de quase 5 anos como Hannah Montana na franquia de bilhões de dólares do Disney Channel já a fazia crescer junto com seus dentes. “A partir do momento em que eu tinha 11 anos, era ‘Você é uma popstar! Isso significa que você tem que ser loira, e tem que ter cabelo comprido, e colocar um pouco de glitter.’ Enquanto isso, eu sou essa frágil garotinha interpretando uma garota de 16 anos com uma peruca e uma tonelada de maquiagem. Era como Toddlers & Tiaras. Eu tinha malditos pés de pato.”

           A meta de sua vida não está perdida: “Disseram-me por tanto tempo o que uma garota deveria ser por estar naquele seriado. Eu fui feita para parecer alguém que eu não sou, o que provavelmente causou alguma dismorfia corporal porque me fizeram bonita todos os dias por muito tempo, e então quando eu não estava no seriado, era como, Quem eu sou?

“EU REALMENTE NÃO ME ESTRESSO SOBRE SER FLAGRADA.

NÃO HÁ MUITA COISA PRA ME PEGAR FAZENDO.”

Cyrus trabalhou 12 horas durante toda sua infância. Ela estudava no set. Era tão difícil ela estar fora do set que sua mãe sugeriu levar uma terapeuta para caso houvesse problemas ocasionais. “Toda manhã eu enfiava café goela abaixo. Precisava continuar, ser dura e forte. Aconteceu de tudo comigo no set”. Incluindo sua primeira menstruação, aos 15 anos, enquanto usava uma calça branca. “Foi tão vergonhoso, mas eu não podia ir embora. E eu estava chorando, implorando para minha mãe para ir embora. ‘Você vai colocar um absorvente. Você vai ter que voltar para o set’”.

           Sua infância a induziu a ter uma grande ética de trabalho, mas também a ensinou que reclamar não faz parte de uma vida encantadora. Hoje em dia ela pode até usar adesivos nos seios, sentar numa caixa de pizza usando um onesie, ficar chapada e refletir sobre vários pensamentos loucos, mas uma coisa que Cyrus nunca vai ser é uma ingrata. “Como eu posso reclamar? Meu animal de estimação deveria ser um bicho preguiça.” Mesmo assim, existem consequências depois de se tornar uma das crianças mais conhecidas de todos os tempos.

        “Eu tinha ataques de ansiedade”, Cyrus confessa. “Meu corpo esquentava e eu sentia que iria vomitar ou desmaiar”. Ela relembra de uma reunião em que ela ficou tão mal que fingiu uma emergência familiar para sair do prédio, antes de perder a consciência. “Quando cheguei em meu carro eu desmaiei”.

           Cyrus teve um ataque similar no Haiti, onde ela desmaiou em frente a multidão. “Isso poderia acontecer com frequência antes dos shows e eu teria que cancelar, então a ansiedade começou a existir por causa da ansiedade. Eu estaria com meus amigos pensando ‘eu deveria estar me divertindo’. Você entra em um buraco que parece que você nunca vai sair.”

           Alguns anos atrás, Miley encontrou um terapista. Agora quando sua ansiedade ataca ela consegue controlar. Quando ela está com seus amigos ela consegue se sentir verdadeiramente feliz. Assim como se sente bem fazendo música ou arte livre de problemas comerciais. “Agora eu faço porque gosto e divulgo para o público porque tem pessoas que também curtem,” ela diz sobre seu novo estilo de vida.

        Assim como os planos para seu mais novo álbum, ainda sem nome. Um álbum inteligente, radical e não comercial, que Cyrus pretende lançar de graça em breve. (Se a RCA não topasse o plano grátis, ela estava preparada para sair da gravadora).

          “Miley não é guiada pelo dinheiro”, explica o empresário dela, Adam Leber. Um veterano da industria que também representa Britney Spears e Avril Lavigne. “Ela faz seu próprio caminho. Antigamente era o que a maioria dos artistas faziam. Agora, pessoas como Miley são raras”. Adam sabe que o público tem uma percepção errada de Miley, mas quando as pessoas percebem que ela vem cheia de empatia e curiosidade, suas percepções mudam. “Miley poderia facilmente ter feito um CD com vários super produtores. Mas ela não o fez. Ela fez algo autêntico.”

           Durante o jantar em SoHo House, Miley diz que vai tatuar um abacate amanhã, para celebrar seu amor pela fruta. Ela adquire tatuagens (já perdeu a conta) do mesmo jeito que as mulheres pintam o cabelo: quando tem vontade. E esse é o jeito que Cyrus vive sua vida atualmente, em uma amável identidade, sem vergonha porém doce, seu coração  descansa nos lugares certos.

           Ela menciona Caitlyn Jenner, que é uma amiga. “Nós conversamos bastante sobre como você nunca irá agradar as pessoas. Nós sempre rimos daqueles que falam que ela é transgênera por fama. O que é louco. Caitlyn tem que contar sua história porque se ela não o fizer, todos contaram por ela. Se ela conta, não há mais o que ser falado. Eu estou na mesma posição em minha carreira. Não há muito que me flagrar fazendo. Você quer hackear meu e-mail para achar fotos minhas peladas? Pode deixar que eu mesma as posto.”

           Miley diz que já amou homens e mulheres e que odeia a palavra “bisexual”. Antes dela se assumir sem identidade de gênero, quando ela saia com mulheres a mídia não dava atenção. Cyrus acha isso hilário e ao mesmo tempo sexista. “Foi igual quando eu estava introduzindo a Joan Jett no Rock and Roll Hall Of Fame e eu disse ‘a razão pelo qual estou aqui é porque quero transar com Joan’, e todos riram porque acharam que eu estava brincando, mas eu estava falando sério.” Ela disse que Stella Maxwell, a sua “namorada”, segundo os rumores, é uma de suas melhores amigas. “Existe muito sexismo e preconceito com idade. Kendrick Lamar canta sobre LSD e isso o faz dele legal. Se eu o faço, sou uma puta drogada”.

           Em sua parte, Joan Jett chama Miley de “um espírito parente”. “Miley não parece ser presa a nenhuma identidade além de si mesma,” observa Joan. Para os haters, ela diz “sempre haverá pessoas que não entenderão e odiarão. Miley aparente ser destemida, o que dá forças as pessoas que se espelham nela.” Ela especula que Cyrus ainda pode ser uma política.

           Depois de pagar a conta do jantar, Cyrus dirige por Hollywood. Ela costumava evitar dirigir por conta de seus ataques de pânico. “Agora eu amo. Eu dirigo por Malibu apenas para pensar.”

           Uma das possíveis músicas em seu próximo álbum é uma canção de amor sobre uma antiga namorada, “o que não deveria ser uma grande coisa.” E outra sobre seu amado cachorro Floyd que faleceu. “Eu estou cantando, ‘Estou viva mas sou uma mentirosa’, se trata sobre como nós nos esforçamos para acompanhar algo que nos deixa com menos medo.”

           Cyrus escreveu todas as músicas – a maioria em quartos de hoteis com as batidas que Mike Will a ofereceu. Ela fala sobre uma terceira música. “Essa eu fiz na Austrália, porque meu ex (Liam Hemsworth) é de lá, então eu estava muito inspirada.” As letras de uma quarta canção, “Bang My Box”, que é bem selvagem, um hino para as garotas poderosas. “Eu estou em um ponto da minha vida onde eu digo tudo que quero,” ela admite com orgulho. “Na maioria das vezes que as pessoas pedem meu autógrafo elas não falam sobre meu show ou música. Elas dizem ‘Obrigada por tudo que você apoia’”.

           Cyrus vira uma esquina com as mãos confortavelmente no volante. “E é por isso que eu continuo sem dar a mínima,” ela acelera no escuro. “Por todos esses rebeldes legais mundo afora.”


Tradução e adaptação: Equipe MileyBR

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Miley é a capa de outubro da ELLE UK
PUBLICADO POR Felipe Gilberto EM 27/08
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Para comemorar o 30º aniversário da revista ELLE, Miley é a capa de Outubro falando sobre o fim de gênero, sexualidade fluida e a revolução trans. Confia aqui.

ELLE UK celebra o seu 30º aniversário com a nossa questão mais ousada; o fim de gênero, sexualidade fluida, e revolução trans.

E quem melhor para ser o rosto de uma nova questão tão ousada do que Miley Cyrus – estrela pop, provocadora, ativista LGBT (e a certeza de ser apresentadora controversa do VMAs deste fim de semana).

Na edição de Miley, 22, fala sobre seu papel como uma ativista de gênero e uma jovem politicamente engajada, em uma missão para tornar o mundo mais tolerante, e gênero e identidades sexuais menos fixos.

Miley discute por que ela decidiu usar seu poder e popularidade, para fazer algo importante através da criação de sua caridade A Fundação Happy Hippie. “Eu meio que me sinto envergonhada de lembrar que fui paga para balançar a bunda em uma fantasia de urso”, ela diz: “Eu não deveria merecer essas coisas enquanto pessoas vivem nas ruas.”

Como uma provocadora ela está muito consciente de como comandar a atenção para conseguir ouvir a sua voz, “Se você colocar seus peitos para fora, todos eles estão procurando, então você pode usar este espaço para dizer algo e levá-los te escutar “, ela continua.

Ela então passa a discutir suas opiniões sobre sexo e relacionamentos dizendo: ‘Eu sou muito aberta sobre isso – eu sou pansexual. Mas eu não estou em um relacionamento. Eu tenho 22 anos, eu estou indo em encontros, mas mudo o meu estilo a cada duas semanas, não liguem com quem eu estou saindo. “

Confira a capa da revista abaixo:

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Fonte|Tradução e Adaptação: Equipe MileyBR

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Miley no Jimmy Kimmel: Saiba tudo que rolou
PUBLICADO POR Leonardo Souza EM 27/08
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Depois de dois anos, Miley voltou ao Jimmy Kimmel ontem (26.08) para falar um pouco sobre a sua apresentação no VMA. Confira abaixo um resumo de como foi a aparição de Miley no programa:

 

Miley chegou aos estúdios do Jimmy Kimmel por volta de 19h (horário de LA) para gravação do programa. Antes de entrar nos estúdio, Miley parou e tirou fotos com alguns fãs que estavam do lado de fora. Confira o vídeo abaixo, e as fotos clicando nas miniaturas:

 

Agora abaixo, você pode assistir as entrevistas, e participação de Miley no programa:

 

 

PRIMEIRA PARTE – LEGENDADO

 

Em breve traduzidos em nosso canal no Youtube. Fiquem ligados!

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